Ribeirão Pires recebe debate sobre fim dos lixões
segunda-feira, 2 de julho de 2012Ribeirão Pires recebeu o seminário “A Cidade e o Marco Legal na Gestão de Resíduos Sólidos”. Realizado na Associação Cultural Nipo Brasileira Kaikan, o evento foi organizado pelo Instituto Acqua e teve como objetivo debater a destinação sustentável do lixo e promover a discussão sobre a sustentabilidade no ABC à sociedade civil. O tema se faz atual pela determinação da Lei 12.305/10, que ordena que os lixões sejam extintos do território brasileiro até agosto de 2014.
Na avaliação do presidente do Acqua, Ronaldo Pepe Querodia, a perspectiva do ABC para a destinação final dos resíduos é ruim. “Ainda não sabemos o que fazer. Precisamos encontrar uma solução para o problema e a melhor forma é o debate que envolva todos os setores da sociedade”, afirma.
Além do presidente do instituto, o evento também contou com a participação de outros especialistas no assunto, como a analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Mariana Alvarenga do Nascimento, a professora doutora Jutta Gutberlet do Departamento de Geografia da Universidade de Victoria (Canadá) e responsável pelo projeto PSWM (Gestão Participativa e Sustentável de Resíduos Sólidos) e o diretor da ABLP (Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Urbana), Ariovaldo Caodaglio.
Caodaglio, inclusive, foi quem adotou o discurso mais pessimista em relação ao cumprimento das metas nacionais relacionadas ao despejo de resíduos sólidos. “Para esta adequação que determina o fim dos lixões é necessário que aterros sanitários sejam construídos, só que para concluir uma construção deste tipo e obter os licenciamentos exigidos são necessários pelo menos dois anos. É muito difícil que isso seja realizado”, explica. “Faltam áreas disponíveis e quando existem são muito caras”, ressalta.
Apoio aos catadores
Já para a professora canadense Jutta Gutberlet, que durante seis anos realizou pesquisas junto a cooperativas de catadores em Ribeirão Pires, é necessário criar políticas públicas que fortaleçam o trabalho a estes profissionais. “Temos que incentivar e remunerar o trabalho daqueles que fazem muito pelo ambiente e que favorecem as relações humanas em nossa sociedade”, define.
Jutta também afirma que a implantação de incineradores nas cidades comprovadamente faz com que investimentos em programas de conscientização e ampliação da seleta coletiva sejam deixados de lado. “Quando se queima o lixo, milhares de empregos de pessoas que vivem de reciclagem também viram cinzas”, finaliza, ao defender que a reciclagem cria oportunidades econômicas, inclusão social, erradicação da pobreza e novas perspectivas de desenvolvimento humano.
Fonte: Repórter Diário