Ribeirão Pires: Festa de Nossa Senhora do Pilar terá reconhecimento ao povo indígena
terça-feira, 12 de abril de 2011Uma virada de 180º no enfoque das festividades de Nossa Senhora do Pilar. Essa é a proposta da Secretaria de Juventude, Esporte, Lazer, Cultura e Turismo da cidade de Ribeirão Pires, Guto Volpi, ao colocar junto à programação do evento, o reconhecimento de que no local existia um cemitério indígena, datado por volta de 1550. A novidade foi apresentada na sexta-feira, em entrevista coletiva na Sejel estavam presentes o secretário e o historiador indígena e mestre de violão, Robson Miguel.
Segundo Miguel, os ciprestes (pinheiro) que hoje ficam atrás da Igreja, não são árvores dispostas de forma aleatória: são, na verdade, lápides indígenas que segundo ele, servem como prova de que, antes do século 18 e da construção da Igreja, ali havia uma aldeia tupi-guarani, fato confirmado pelo historiador Antonio Simões, no livro Etapas Evolutivas de Ribeirão Pires, onde descreve a presença de aldeias na região do Pilar Velho, em uma época estimada em 1562.
Outro indício de que o local era um cemitério indígena, é evidenciado por Robson Miguel, em um vídeo postado no Youtube. Nele Robson destaca que a forma como a Igreja do Pilar foi construída dá indícios de que havia uma oca-mãe de uma aldeia, onde eram realizados os rituais espirituais da tribo.
“O vento bate a favor da construção, o que favorece a dispersão do odor produzido por dejetos e restos mortais, que ficavam nos fundos da aldeia, na área do cemitério”, disse Robson Miguel.
Segundo o secretário Guto Volpi, a descoberta fará parte dos festejos. “Além dos shows e missas, faremos o resgate histórico do cemitério, destacando sua importância para os índios, negros e imigrantes europeus”, destacou Guto Volpi.
Polêmica
Fonte: Folha de Ribeirão Pires